Friday, January 27, 2006

Séries brasileiras, sob Giselle Itié

Tive a oportunidade de acompanhar duas das mais novas séries produzidas no Brasil a imitar o estilo americano: "Mandrake" (baseada nos livros de Rubem Fonseca) da HBO Brasil e "Avassaladoras", de uma parceria entre Record e o canal Fox. As duas cont(ar)am com a participação da atriz Gisele Itié e por isso ela será o foco da minha resenha e parâmetro para a nota (que varia de 0 a 5 Giselles).


"Mandrake" é muito bem feita, filmada em película, com ótimas atuações e enredo. Não tive a oportunidade de ver o capítulo com a Giselle Itié inteiro, mas no pouco que conferi ela roubou a cena. Quando aparecia, era impossível tirar os olhos da tevê: no início, pra ver se aquela era a hora em que ela ficava pelada, na hora em que ela estava pelada e no final, onde talvez ela fosse ficar pelada de novo. Foi uma ótima performance, eles pareciam muito naturais em cena.



Nota:

***

Eu nem sei por onde começar com "Avalassadoras". A série possui diversas qualidades: testa com primor sua capacidade de segurar a vontade de cometer suicídio com a repetitiva execução da hedionda música tema, estimula o raciocínio fazendo o espectador tentar entender que diabos está acontecendo e exercita a memória quando nos perguntamos "foi numa pornochanchada dos anos 70 a última vez que eu ouvi um áudio tão vagabundo?". Direção, enredo e atuações caminham em sintonia: os três são confusos e pobres. Tão difícil quanto não comparar a série com Sex In The City é tentar achar nela algo que preste.

A "história" é a seguinte: a workaholic do bando quer porque quer arranjar um marido. Estudando sua lista de amigos, chega num cara com quem trabalhou "há 10 uns anos". Obviamente ele lembra dela. E obviamente ele é bicha. E obviamente ela descobre isso na mesma hora em que pede ele em casamento (nessa hora a série testa também nossas habilidades dedutivas, porque com o áudio vagabundo tudo o que ouvimos é o cara dizer "ou ei").

Miranda, a ruiva, acabou de se separar e não quer mais ver homem pela frente. O vizinho fica sabendo disso e resolve se fingir de decorador gay pra chegar perto dela. A linha de enredo mais promissora (meio clichê, mas com bom potencial cômico) é também a mais pobre. O cara, uma vez dentro da casa da mulher, não dá uma indireta sequer nela. Você chega a ter impressão de que ele foi lá pra decorar a casa mesmo. Isso até o momento em que ele começa a sair do disfarce e ela a corresponder. Aí o cara, do nada, volta a bancar o gay e você passa a ter certeza de que o objetivo dele era realmente brincar de bicha.

Giselle Itié então aparece no finalzinho, na terceira trama - que é um verdadeiro tratado sobre como não fazer uma série - como a irmã porra-loca da publicitária feinha. Com pouco tempo em cena, não pude sequer torcer pra que logo ela ficasse pelada, mas fui obrigado a ouvir ela descobrir que um cara era casado porque abaixou a tampa da privada depois de ir ao banheiro. A atuação breve também serviu para que ela mostrasse(por duas vezes, haja saco) uma mania da sua personagem que, num futuro brevíssimo, pode vir a fazer com que ela seja mais odiada que o Jar Jar Binks - um datado "rélô-ôôu". Como que prevendo o fracasso, os escritores fizeram com que a personagem de Giselle fosse bissexual. Beijo lésbico sempre dá uma ajuda na audiência.

Se tudo é óbvio em "Avassaladoras", pelo menos um mistério persiste: onde diabos foram gastar os R$200.000,00 (duzentos mil reais) investidos na produção de cada episódio??

Nota: -200.000

2 Comments:

Blogger João Paulo said...

avassaladoras não deve ser de todo ruim. tem beijo lésbico.

7:19 AM  
Blogger Peru said...

São gastos 200 mil porque a produção é coisa Crasse A, tem academia, agência, uns três apartamentos, escritórios, bar, outras locações caras, muitos extras e o Márcio Garcia.

12:16 PM  

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